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quinta-feira, 26 de setembro de 2013
Problemas do ciclismo debatidos em reunião na FPC
A Federação Portuguesa de Ciclismo reuniu com clubes dos escalões continental e sub-23, ontem nas suas instalações em Lisboa, para tratar de alguns assuntos referentes à próxima temporada.
Compareceram praticamente todas as equipas nacionais, para uma reunião que tinha como alguns dos pontos principais, a possível reformulação dos contratos dos ciclistas do escalão continental. Pretende-se que estes sejam, trabalhares dependentes e não independentes, como acontece actualmente, a análise do regulamento administrativo das equipas continentais e o calendário para a próxima temporada.
O primeiro ponto foi, talvez, o mais debatido, centrando-se as diversas intervenções nos possíveis benefícios que ciclistas poderiam ter com um novo enquadramento laboral, bem mais oneroso para as respectivas equipas .
Um facto sobre o tema, bem evidente, são as enormes dificuldades que as equipas têm vindo a sentir, nos últimos anos, na conquista de sponsors, que consigam suprir os respectivos orçamentos . Que o ciclismo definha, já todos sabemos e que que todo o circo se ressente é também notório na falta de provas, um dos grandes problemas destes escalões. Analisando o calendário nacional, compreende-se o porquê da interrogação do nosso profissionalismo. Em março apenas uma prova prevista, em abril duas , mas uma ainda não se sabe se é ou não para fazer ou para ocupar datas, de 10 de agosto até outubro apenas circuitos.
Realce-se a intenção federativa, mas quem esperava encontrar novidades não se enriqueceu. A passagem dos ciclistas para um novo estatuto laboral enferma ainda de muitas duvidas, que não estão contempladas e vai criar problemas , quer a equipas quer a ciclistas, pois ambos irão ser sujeitos a pesadas contribuições, para os quais não têm , uns, receita possível para fazer face às despesas, e outros, os ciclistas, terão alguns problemas de continuidade laboral, face à indefinição dos respectivos contratos que, ao fim de três anos poderão indiciar a permanência como efectivo do respectivo trabalhador.
Sem estar integrado num Liga Profissional , o que justificaria para, de alguma forma, contemplar possíveis benesses para o sistema, ao ciclismo poderá acontecer o que sucedeu ao andebol e basquetebol que, em poucos anos, se viram forçados a abandonar o profissionalismo, por total insuficiência de meios, tal era a dificuldade para cumprir perante a Segurança Social os encargos das respetivas equipas.
Isto é, andebol e basquetebol deixaram o profissionalismo, mas encontraram outra forma de enquadramento, que lhes permite grande visibilidade, sem grandes complexos, o que parece acontecer com o ciclismo.
O ciclismo nacional durante anos conseguiu manter um estatuto dito profissional, com o actual sistema, sem grandes problemas. Os ordenados não são grandes, e assemelham-se, em muitos casos, ao que é praticado na maioria dos países, onde equipas optam por vários sistemas . Sistema misto, muito utilizado nos países da Europa central, equipas com estatuto profissional, como acontece em Espanha e França, ou mesmo com estatuto amador, como acontece na maioria de outros países .
O problema do ciclismo nacional e a relação dos vencimento dos ciclistas, prende-se também por diversos motivos, que não captam o interesse de grandes patrocinadores : poucas provas e sem grande visibilidade, com os ciclistas a serem pagos doze meses para um calendário de praticamente seis meses e, nestes, com largos períodos sem uma única competição de interesse.
Deste facto, também se ressentem os ciclistas, pois, se na Europa central, por exemplo, os vencimentos são semelhantes aos nossos, é incomensurável a diferença entre o valor dos prémios conquistados por uns e por outros, o que não ajuda a um reforço do vencimento dos nossos ciclistas.
Há, pois em termos de futuro, um cuidado enorme com uma situação que, embora possa ser considerada precária, permitiu que o ciclismo continue com um estatuto dito profissional, quando outras modalidades que fizeram o que o ciclismo quer agora fazer, fecharam portas, ficaram a dever quantias enormes à Segurança Social, levando à banca rota muitos clubes.
Num claro clima de dificuldades económicas que o país atravessa, criar dificuldades poderá conduzir ao fim de uma situação que, embora possa não ser a desejada, pelo menos permitiu que equipas e ciclistas tenham tido uma actividade minimamente produtiva, há longos anos.
O regulamento admistrativo que as equipas continentais serão sujeitas para 2014 não foi apresentado, tendo sido apenas indicados prazos.
A Volta a Portugal do Futuro foi outro tema explosivo que levou a que a FPC tenha inscrito a prova como internacional em 2014, aberta apenas a ciclistas sub-23, dando assim razão ao descontentamento das poucas equipas deste escalão que existem no nosso país. Temos assim que, em 2014, serão mais as equipas estrangeiras a beneficiar da prova que as equipas nacionais, e os encargos financeiros com a realização da prova serão bem mais importantes. Numa situação que não agrada a gregos nem a troianos, poder-se-á chegar a uma conclusão que os ciclistas elite que militam nas equipas sub-23, não podem correr nem a Volta a Portugal nem a do Futuro, o que também não é interessante para o nosso ciclismo. Para se fazer bem as contas neste ponto, e chegar a uma conclusão verifica-se, afinal que, de todas as equipas presentes na Volta do Futuro, uma das equipas continentais presentes na prova, tenha tido a média de idade mais baixa de todas as formações.
O que se quer dizer com isto, é que o nível competitivo dos sub-23 em 2013 para além de ser quantitativamente inferior a outros anos, também o foi em termos qualitativos. Pretendendo defender os sub-23, a FPC caminha a passos largos para proporcionar a saída da vida ativa como ciclistas, a jovens entre os 24 e os 25 anos e que, durante uma época defenderam as cores das suas equipas de clube.
Falando-se dos custos exagerados da organização das provas, foi criticada a ,atuação dos Comissários nas provas : numero elevado de comissários, poucos conhecimentos técnicos, pouca colaboração desses mesmos comissários, o que levou mesmo a que o Presidente da FPC tivesse afirmado que “esse era um problema delicado e que era necessário e urgente resolver.”
Houve quem aventasse que as equipas de comissários fossem reduzidas, a exemplo do que sucede em Espanha, onde cinco comissários fazem melhor, o serviço de dez em Portugal, e que as equipas de comissários tivesse meios técnicos, que não obrigassem a custos suplementares com sistemas eletrónicos de classificação, por parte dos organizadores.
A nível de policiamento as notícias poderão ser positivas, já para 2014, com os custos dos policiamento para provas até cadetes poderem ser oneradas apenas em 20% dos custos reais, enquanto as outras poderão ver os custos reduzidos a 50%, com excepção da Volta e provas internacionais
.
Sobre o calendário de provas , as novidades são muito poucas, assumindo como ponto inovador, uma ideia antigo, da criação do Critério nacional de Circuitos, o resto pouco, tal como as provas poucas e fracas do ponto de vista competitivo.
A Volta ao Algarve muito dificilmente se realizará. O organizador de 2013 ainda não liquidou sequer ajudas de custo a equipas participantes, nem tão pouco os prémios em disputa, o que levou o presidente da FPC a lançar algumas duvidas sobre a sua efetivação.
Como prova rainha surge, mais uma vez a Volta ao Alentejo, secundada pelo Prémio de Torres Vedras que terá quatro dias. O calendário possível, com a FPC atentar a criação de mais três provas de fim de semana, duas em março e uma outra em princípios de Setembro.
Sobre a Volta a Portugal, o inicio já foi antecipado para 31 de julho e final em 10 de agosto, Perigosamente, a Volta chega-se para julho, empurrada pela força da Vuelta, e a época de ciclismo cada vez é mais curta. É pena que o ciclismo nacional não tenha quem o defenda a nível internacional.
Um outro ponto de preocupação da FPC prende-se com os cerca de 64 juniores que passarão em 2014 ao escalão superior, onde, por muitas boas vontades que existam não há cabimento para tanta gente. Agora, motivam-se equipas continentais s aceitarem ciclistas sub-23 de 1º ano, quando durante muitos anos se impedia a sua passagem ao escalão superior, mas mesmo assim muitos serão os ciclistas a ficar sem equipa, apresentando-se como única solução que os ciclistas que não encontrarem lugar em sub-23 possam completar mais uma época como juniores, mas sem poderem competir nos Campeonatos Nacionais nem na Volta a Portugal da categoria.
Um corte de 130 mil euros nos duódecimos do Governo em 2013, a incerteza se haverá mais ulgum corte nas verbas que faltam receber, a diminuição do apoio da Liberty Seguros de 100 para 50 mil euros anuais, são outros problemas de uma Federação, ainda assim abastada, pelo menos em relação à vizinha Espanha, onde houveram medidas de contingência face a situação.
Do ponto de vista formal nada ficou “oficializado”, do tudo que se disse nesta reunião.
Calendário pervisto para 2014:
16/02 – Abertura
19 a 23 – Volta ao Algarve
Março:
26 a 30 – Volta ao Alentejo
Abril:
5 e 6 – Prémio da Maia.
24 a 27 – Prémio Liberty Seguros
Maio:
17 e 18 – Prémio de Amarante
23 a 25 – Provas no Algarve
29 a 1/06 – Prémio JN
Junho:
8 a 10 – Prémio Abimota
14 – Clássica de Albergaria
15 – Prova em Albergaria
21 – Clássica de Oliveira Azémeis
22 – Memorial Bruno Neves
27 a 29 – Nacionais
Julho :
10 a 13 .- Prémio de Torres Vedras
17 a 20 – Volta do Futuro ( apenas para sub-23)
Agosto –
30/7 a 10 agosto – Volta a Portugal
De agosto a setembro estão previstos uma s+érie de circuitos a maioria deles ainda sem confirmação.
4 de outubro – Pro Cycling Maraton
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