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quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Será possível um dia a Copa Ibérica ?


O panorama internacional e nacional não tem tido, nos últimos dias grandes movimentações. Internamente, o Boavista apresta-se para apresentar amanhã os seus chefes de fila para 2014, enquanto no estrangeiro, poucas são as notícias relevantes.

À falta de mais, referência, registe-se a morte do de um dos mais antigos nomes da modalidade ainda vivos-. Com 93 anos de idade, faleceu em Bourges, Albert Bourlon, recordista da fuga mais longa na história do Tour, com 253 kms, no longínquo ano de 1947.

De relevo em relevo, uma interrogação, para a dificuldade de algumas estrelas internacionais, encontrarem um lugar numa qualquer equipa mundial, num lugar compatível com o seu valor e mediatismo. O nome mais em foco, é o de Chris Horner, recente vencedor da Vuelta, ciclista consagrado, e cujo dilema em encontrar equipa para 2014 tarda em ser desvendado. É certo que a sua idade, 42 anos é uma dificuldade de peso e um entrave para quem o quer contratar, a que se soma os custos do seu contrato, posto a nu por Bernardeau, director da Eurocpar, um numero sonante de 750.000 euros/ano. É certo que Horner ganhou a Vuelta, folgado mas sem nada mais de relevante feito em 2013, e quanto aos seu passado, um triunfo na Volta ao país Basco, lugares de relevo em Califórnia e outras tantas provas mais secundárias, nada de importante que valha tanto dinheiro.

Os tempos são outros e o ciclismo tem de rapidamente tornar por novos caminhos, mais de acordo com as dificuldades económicas de países e mundo, que não facilitam aplicações financeiras sem retornos de produção. O problema do ciclismo é um dilema, ele também do fenómeno desportivo, cujo mundo parece fechado em si próprio, sem se aperceber do que se passa à sua volta.

Continua-se, pois, a viver à grande e à francesa, e a exigir-se cadernos de encargos para as mais diversas actividades, como se nada se tivesse passado.

As delegações nacionais a provas no estrangeiro, de invariáveis actividades desportivas, somam normalmente mais técnicos, dirigentes, assessores das mais diversas funções, que o numero de atletas deslocados. O mundo está a mudar e o que é grave é que as pessoas não se aperceberam dessa realidade e teimam em perpetuar um método gasto e que levará ao desaparecimento de muitos hábitos antigos, senão for por imposição interna, dos próprios organismos desportivos, por factores exógenos a essas mesmas federações.

O problema , e voltamo-nos mais especificamente para o ciclismo, não estará nas grandes provas, no Tour, no Giro e mesmo na nossa Volta a Portugal, competições que terão, dada a sua grandiosidade e rentabilidade, o seu futuro assegurado. O problema está nas outras provas, aquelas cujos organizadores vão desistindo, uma atrás de outra, contra a impossibilidade de encontrarem patrocinadores dispostos a puxarem os cordões à bolsa para organizarem provas, cujo mediatismo e respectiva rentabilidade é muito duvidosa.

Por isso, é muito duvidoso o futuro das equipas continentais a nível mundial, dado que enquanto nada falta para o circuito World Tour, muito pouco resta para estas equipas, cujo futuro não é risonho. Na verdade, que adianta uma equipa ter ciclistas, patrocinadores senão tiver um calendário que justifique a sua existência ? O problema é grave, interna e externamente e o que torna a situação aflitiva é o completo ostracismo das entidades que gerem este desporto que, embora sabendo das dificuldades teimam em manter cadernos de encargos desajustados que põem tudo em risco.

As provas internacionais, com cadernos de encargos elevadíssimos tornam impossível a realização de muitas competições. E o que sucede ? Algumas numa primeira fase acabam por perder dias de realização, para reduzirem, muitas, a provas de fim de semana e mesmo a provas de um só dia. Uma segunda via é optarem por baixar de escalão, numa tentativa de baixarem os elevados encargos da sua fixação no calendário UCI.

Por tudo isto, e porque os países que mais ficaram a perder neste corrupio, foram Portugal e Espanha, se calhar bem mais os espanhóis que portugueses, lamenta-se que as duas federações não se sentem à mesa de negociações e organizem a Copa Ibérica , com um caderno de encargos à justa medida da realidade económica dos dois países, longe das disparatadas e desmesuradas medidas obrigatórias das provas UCI.

Um calendário ibérico que começasse com uma sensibilização de organizadores e que pudesse incluir as seguintes provas:

Provas portuguesas :

Prova de abertura no Algarve
Prémio Abimota
Prémio JN
Clássica de Amarante
Prémio Joaquim Agostinho

Provas espanholas :
Vuelta a Lugo
Vuelta a Galiza
Vuelta a Zamora
Vuelta a Leon
Vuelta a Toledo

Este calendário é meramente exemplificativo, pretendendo-se a existência de uma calendário com um mínimo de dez provas, distribuídas ao longo da época, com os necessários ajustes por parte das respectivas federações.

Tipo de equipas participantes:
Equipas continentais UCI e de clube, num total de dez de cada um dos países.
Prioridade de participação às equipas continentais de cada um dos países, com as restantes vagas a serem ocupadas pelas melhores classificadas de um ranking a estabelecer por cada uma das federações.

O restante calendário de cada um dos países ficaria reservado para provas internacionais ou nacionais, conservando a sua identificação, como provas prioritárias.

Registo classificativo prova a prova, mas com somatório de pontos para a Copa Ibérica, tal como uma prova de regularidade, por equipas e individual.

Esta será uma ideia, que permitiria o arranque de uma prova Ibérica, que proporcionaria uma maior mediatização a estas provas nos dois países, bem como uma participação de 20 equipas em cada uma delas.

Será uma ideia ainda pouco desenvolvida, apresentada na generalidade, carecida como é logico de estudos mais aprofundados e especializados.

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