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sábado, 9 de novembro de 2013

Inteiramente legitima a vontade de Gamito em regressar


“ A partir de determinada idade podem-se obter grandes resultados, quando se tem motivação e uma vida sã, trabalhando-se duro nos treinos com todo o tipo de sacrifícios. Um corredor não está esgotado aos 40anos.” – palavras de Rebellin, talvez neste momento o ciclista mais idoso em competição e com obtenção de resultados desportivos, que fazem inveja aos mais novos.

Rebellin foi terceiro no Nacional italiano, e ainda terceiro no circuito europeu da UCI, resultados que justificam a sua permanência no pelotão.

Vitor Gamito quer regressar }a competic\ao para provar, talvez a si próprio, que não existem limites, ou melhor, que os limites estabelecidos empiricamente, podem ser sempre alcançáveis, em especial nas modalidades em que o tipo de esforço se centraliza na base da resistência aeróbica.

Impensável, por exemplo, vermos um futebolista ou mesmo um atleta de atletismo de fundo, em que o tipo de esforço se centraliza na resistência aeróbica, em especial , pelas micro agressões resultantes do suporte do peso do corpo, e pelas agressoes de tendões e articulações, o que não acontece no ciclismo, em que o peso do corpo é suportado em três pontos fixos : selim, e guiador, e por dois pontos móveis os pedais..

Nas modalidades em que o tipo de esforço altera substancialmente de velocidade, não é muito fácil existirem atletas com grande longevidade, pelo choque e pelos picos nos ritmos cardíacos, nos arranques e esforços curtos, mas de um tipo de resistência diferente mais intensa e muito próximo dos limites humanos.

Numa entrevista dada hoje, por Chavanel reconhece que o seu “ envelhecimento “ lhe provocou algumas alterações fisiológicas:

“ Quando era mais novo parava totalmente durante cinco ou seis semanas. Com a idade, preciso de conservar o ritmo. Faço micro paragens. Mantenho a minha condição praticando ténis ou correndo.” Não contente com estas actividades, Chavanel aproveita o inverno para participar em algumas provas de ciclocrosse, que lhe permite manter a sua potência. “ Ao envelhecer, o meu corpo tornou-se mais diesel, e é preciso mais tempo para aumentar essa potência. Nos ciclocrosses, parte-se rápido e nunca se pára para descansar, o que permite trabalhar numa cadência mais forte.”

Um outro ponto, talvez o mais importante, reflecte-se na capacidade psicológica e na capacidade para pedalar em limiares máximos de capacidade de sofrimento. Ora neste capítulo, só através dos anos, essa mesma capacidade vai melhorando, isto é, os atletas vão suportando fisicamente esforços que só são possíveis de manter com grande esforço e capacidade psicológica, que são adquiridos o longo dos anos com a adaptacao ao esforco. Aquilo que nos ciclismo se chama de capacidade de sofrimento, e que o organismo vai adquirindo ao longo de uma carreira longa. Uma capacidade algo sádica, em que muitas vezes o sofrimento é de tal ordem, que só com abstracção total se consegue atingir.

Por isso, quando Vitor Gamito diz pretender regressar às estradas tem todas as capacidades para o fazer de uma forma muito positiva:

Possui uma técnica de pedalada económica.

Tem valores fisiológicos que lhe permitem praticar a sua modalidade preferida em boas condições, como o atestam os resultados obtidos em provas de BTT, cujo tipo de esforço tem picos cardíacos que propiciam o trabalho de potência .

Tem uma enorme capacidade volitiva, e o querer é , por vezes mais importante que o poder, denotando uma força de vontade acima da média de qualquer ciclista jovem.

Tem uma enorme capacidade de sofrimento, muito superior à maioria dos jovens que se estão a iniciar no profissionalismo.

Ao longo da sua carreira baseou sempre a sua actividade desportiva em métodos de treino adequados e orientados de forma científica.

Por tudo isto, é inteiramente legítimo que o ex-vencedor da Volta a Portugal nos dê um exemplo de abnegação, sacrifício e admiração pela forma como abordou o seu regresso ao ciclismo de competição.

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