Uma etapa dantesca, daquelas que , com bem tempo, seriam pouco prováveis de provocar alterações classificações mas, que naquelas condições, são das etapas que, por vezes decidem por si uma competição.
Não foi o caso hoje, mas serviu para ver com alguma claridade, apesar do clima enevoado que o campeão Bradley Wiggins não está nos seus melhores dias. Já o tínhamos dito em crónica anterior que o inglês não estará nos seus melhores momentos, ou porque o querela com Froome o tenha desgastado, ou porque atravessa um mau momento, condizente, aliás, com o que em termos competitivos fez até ao momento.
Era uma etapa difícil, imprópria para sprinters, que se quedaram todas nas covas, agrupados nos chamados “ grupettos”, termo italiano que consiste em manter num grupo o maior numero possível de ciclistas atrasados, de forma a poderem lutar em conjunto, para cortarem a meta dentro do controlo estabelecido pelo Júri para cada etapa. O controlo de chegada não é uniforme, pelo menos nas grandes provas, e varia entre os 6 e os 12%, consoante a quilometragem da etapa e o seu grau de dificuldade. Há dois anos atrás, o Juri podia, no final de uma etapa, alargar esse prazo, alegando condições atmosféricas adversas, repescando grupos alargados de ciclistas, ou mesmo os ciclistas poderiam solicitar a sua repescagem individualmente alegando quedas, avarias que os prejudicavam de forma objectiva.
Hoje em dia, não é permitido alargar o prazo de repescagem pelo Juri nem o ciclista tem possibilidade de solicitar a sua repescagem, o que em algumas situações é tremendamente injusto, principalmente para quem cai ou é vitima de avaria.
Mas explicações à parte, a tirada de hoje foi difícil, pouco pelo percurso, e muito pelas condições atmosféricas e pelo piso da estrada escorregadio e perigoso, daí que as quedas tenham sido mais que muitas. De Niballi, a Sella e a Wiggins foram muitos os que pisaram o solo, embora muito poucos tenham saído maltratados. As quedas eram em velocidade reduzida, e só Niballi caíu um pouco mais acelerado, quando já seguia isolado depois de atacar a descer. Wiggins, esse já vinha atrasado quando caíu, perdeu o contacto do grupo onde vinha integrado, recolou mas perdeu mais de um minuto. Um incentivo para o Giro ?
Esperemos pelo menos que sim, pois se estiver bem, amanhã o britânico ganhará bastante tempo aos seus mais diretos competidores, tornando assim a prova mais apetecível do ponto de vista desportivo.
Deu, no entanto, para ver que Wiggins está fragilizado e que Hesdjal, Evans e Niballi estão psicologicamente mais fortes. Já nos esquecíamos de referenciar a grande corrida do australiano Adam Ansen, da Lotto-Belisol, que obteve hoje de uma forma categórica o seu primeiro grande triunfo. Isolado ,na companhia de mais seis ciclistas , desde o km 29 de corrida, soube gerir a sua vantagem e à perseguição diabólica dos homens da Vini Fantini que, eventualmente preparariam o triunfo para Danilo di Luca.
Na geral Wiggins é agora 23º, a maior queda classificativa, enquanto nos dez primeiros se mantêm os principais favoritos. Sem dar muito nas vistas, a equipa da Movistar vai fazendo pela vida, coleccionando triunfos e lugares de relevo e é, agora, o leader da prova, por intermédio de Benat INTXAUSTI, 14ª na chegada.
O azar de Bradley Wiggins foi amplamente saudado na sala de Imprensa, com muitos jornalistas a mostrarem que não morrem de amores pelo chefe de fila da Sky, o que até em certa medida é normal, pelo menos para os perdedores, que estão sempre contra aqueles que ganham. Batendo palmas quando Wiggins caíu, o comportamento de alguns jornalistas, mereceu um forte reparo de Lance Armstrong, que, pelos vistos, continua a acompanhar intensamente a sua modalidade tendo criticado, no seu Twitter da seguinte forma:
Lance Armstrong ? @lancearmstrong
“I’d like to see every 1 of those journos mount up and scream down a slick/steep downhill at upwards of 50 mph. Then we’ll see who’s cheering “
4:58 PM – 10 Mai 2013
“ Gostaria de ver estes jornalistas trepar e efectuar uma descida escorregadia a mais de 80 kms /h. Então queria ver quem aplaudiria.”</strong>
Dos portugueses, realce para a boa etapa de Nelson Oliveira, chegou com Tiago Machado integrando o grupo de Wiggins. Tiago baixou para o 41º lugar e é o melhor luso, mas espera-se que amanhã possa subir uns lugares.
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